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O Super Profissional e a Vigilância Sanitária Temos presenciado nos últimos dias uma realidade que já vínhamos denunciando há muito tempo em nossa associação. Trata-se da vasta competência da atividade do profissional que trabalha com vigilância sanitária e o excesso de obrigações e responsabilidades por eles assumidas. Exemplo notório são as últimas investidas dos profissionais da Anvisa e também das vigilâncias sanitárias no combate à epidemia da gripe suína (H1N1). O mesmo acontece com questões igualmente importantes, como por exemplo, a Dengue ou combate de medicamentos falsificados. Impossível imaginar vencer todos esses desafios com o nosso pequeno exército de profissionais, se considerado o tamanho do país, o número de habitantes e a variedade de temas a serem fiscalizados, regulados e controlados, sem que haja novos investimentos no setor. O momento é propício para chamar a atenção da sociedade sobre a importância de se investir em assuntos como o de vigilância sanitária. É tempo de voltarmos a discutir políticas públicas para melhora e modernização do sistema. Como desejar que um único profissional possa atuar em temas tão diversos, que demandam muitas vezes uma compreensão científica apurada e específica, em curto espaço de tempo? Claro que estamos exigindo milagres dos nossos mais que humanos profissionais – hoje até apelidados de “Super Profissional” (a Abpvs inclusive criou um personagem para falar do tema, o SuperAbrão!) em homenagem aos seus grandes feitos. Chamamos a atenção da sociedade como um todo. Temos que manter a sociedade brasileira produtiva e, por conseqüência natural competitiva. Entretanto, se continuarmos concentrando todas as causas em um único órgão, bem provável sofrermos conseqüências danosas ao depois (sim, porque para atendermos, por exemplo, uma demanda importante como essa da gripe suína, muitas vezes somos obrigados a deslocarmos profissionais de outros setores da agência ou vigilâncias, o que fatalmente impactará no sistema produtivo). Fundamental para o bem da constante modernização do sistema nacional de vigilância sanitária, a revisão das normas vigentes (muitas, inclusive, do tempo da ditadura brasileira). Do contrário continuaremos sabendo da existência desses importantes profissionais somente em momentos de crise, quando algo não vai bem no que diz respeito ao controle da saúde de nosso povo. Sociedade saudável investe na qualidade e valorização do profissional em vigilância sanitária como um todo.
Eliana Silva de Moraes |